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Mapas da Mudança · Volume I

A técnica não é a terapia

Marina chegou à sessão com uma frase que não trazia raiva, mas desgaste: — Eu já fiz várias técnicas.

Ela disse isso como quem apresenta uma coleção de tentativas que, em algum momento, pareceram promissoras. Em uma delas, chorou muito. Em outra, percebeu coisas que nunca havia conseguido organizar em palavras. Houve também uma experiência da qual saiu leve, quase surpresa com a sensação de espaço que surgiu dentro dela.

Por alguns dias, acreditou que algo havia finalmente mudado. Mas então a vida apertava. Uma reunião importante. Uma apresentação. Uma conversa com alguém que admirava. Uma pergunta feita em tom mais firme. Um comentário ambíguo. Um silêncio que ela não sabia interpretar. E Marina se via novamente dentro do mesmo circuito.

Nem sempre alguém ‘volta a ser a mesma pessoa’ porque nada mudou. Às vezes, houve mudanças reais. Mas compreender algo não é o mesmo que conseguir sustentar uma resposta diferente quando o contexto que alimenta o padrão reaparece.

Marina não precisava apenas de mais uma técnica aplicada sobre ansiedade. Ela precisava compreender como aquela ansiedade era construída, o que a ativava, o que dizia para si, o que fazia para reduzir o desconforto e que nova resposta poderia ser construída sem que ela precisasse se violentar para mudar.

É nesse ponto que começa este livro. Não com a pergunta ‘qual técnica funciona?’, mas com outra: o que torna uma intervenção realmente terapêutica?


Esta é uma amostra do primeiro capítulo.

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